Como resposta à isenção admirável da team blue, que disponibilizou algumas das informações mais confidenciais acerca do funcionamento da equipa adversária, tornou-se indispensável à team white realizar uma investigação do mesmo nível. Aqui fica:
Eduardo Martins – Este jogador excepcional, cujas capacidades posicionais mantêm a coesão defensiva da blue team e previnem goleadas exageradas, tem o extraordinário special de passar despercebido em qualquer posição ofensiva do terreno (apesar dos seus assustadores 5m de altura). De facto, a partir do momento em que passa o meio campo mistura-se com o fundo de cimento das bancadas e torna-se indetectável até pelo olhar mais atento, mantendo-se isolado e em boa posição para facturar. O grande problema deste fantástico special é ser demasiado democrático, tornando-o invisivel até para os membros da sua própria equipa, que depois de cinco ou seis segundos à procura da vedeta decidem jogar entre eles (frequentemente mal, convém apontar).
Filipe Camelo – Este recém promovido sub-21 tem o hábito de pressionar insistentemente o botão do special sempre que se depara com um adversário pela frente, utilizando uma técnica ensinada pelo Couceiro e que vem sendo aperfeiçoada desde os tempos do Carlitos com a camisola do Gil Vicente... Entra imediatamente numa série de fintas e remoínhos intensos que baralham a defensiva adversária e aproxima-se lentamente de uma posição boa para marcar (isto quando o pé esquerdo não finta o pé direito...). No entanto, este special acaba por afectar o ouvido interno do jovem jogador e torna o remate final num chuto com direcção aleatória, podendo em casos extremos resultar em auto-golo.
João Courinha – Os dotes de retórica do mais culto e menos instruído jogador domingueiro contribuiram para a criação do seu special, sem dúvida o menos ortodoxo de todos os jogadores em campo. Este jogador consegue alterar as estatísticas oficiais a seu gosto, acabando frequentemente por convencer a opinião pública de ter marcado duas a três vezes os golos que efectivamente marcou durante a partida. Isto contribui para situações bizarras em que num resultado de 8-7 o jogador já marcou para cima de nove golos.
Miguel Simões – Durante uma partida de duas horas o nome deste jogador é proferido no máximo três ou quatro vezes. Desloca-se com pezinhos de lã e mantém-se totalmente alheado das jogadas e das discussões, apostando no “low profile” para sair ileso de investidas violentas da parte do adversário. No entanto, em momentos precisos que lhe afectam o sentido de justiça utiliza o seu special para incrementar instantaneamente os níveis pessoais de indignação, reagindo a insultos ligeiros como se fossem ofensas pessoais gravíssimas e merecedoras de uma colossal descasca. Este special é conhecido no mundo desportivo como “a técnica do psicopata aborrecido”, que troca o homicídio de jovens virgens por sermões intermináveis no messenger.
Nuno Luz – Habitualmente conhecido por Nunex, este excepcional brinca-na-areia entrou na blue team depois de uma rejeição no casting dos globe trotters, em que os avaliadores disseram que “conseguiu dar mais de 69 toques, mas não chegámos a sentir amor”. Depois de pôr em prática o seu enorme repertório de fintas que “quase que davam...” e de perder a posse de bola com dois companheiros de equipa em excelente posição para marcar, tem como hábito accionar o seu special, fortemente conotado com um género particular de esquizofrenia... Antes de dar a possibilidade de protesto aos seus colegas, entra numa série de auto-críticas violentas, como “Fuço do caraças” ou “Estúpido! Tão estúpido!”, e lá volta o Nunex para a defesa profundamente ofendido com o Nunes. Há quem o tenha visto (depois de ter fuçado escandalosamente) proferir o mais famoso desabafo: “Não volto a jogar com este gajo...”.